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terça-feira, 26 de abril de 2011

Plataforma de “Produtores do Melão” genuinamente alpiarcense

Já passaram alguns anos quando um alto quadro do grupo “Jerónimo Martins” (JM) veio propositadamente a Alpiarça procurar um “grande meloeiro” que estivesse disposto a fornecer em exclusivo toda a sua produção para o grupo.
Encontrado o “meloeiro” seguiu-se a reunião de ambos. O que “Jerónimo Martins” pretendia era que o “meloeiro” produzisse em grande escala e em exclusivo para o grupo.
Apenas duas condições para ambas as partes: O JM comprometia-se a comprar toda a produção a um preço fixo como vir ao “campo” carregar toda a produção. O “meloeiro teria de garantir que tudo estivesse pronto para que os “camiões” fossem carregados em dias a combinar.
Para uma melhor reflexão do produtor foi dado a este oito dias para responder. O “meloeiro” foi para casa fazer “contas à vida” e chegou à conclusão que o “negócio não era grande coisa” porque JM comprava-lhe a “seara toda a um preço baixo” quando ele conseguiria vender o melão produzido três vezes mais caro daquele que lhe foi oferecido”.
Conclusão: não houve negócio. O grupo “Jerónimo Martins” continuou a ter melão para vender nas suas “grandes superfícies” e o meloeiro não conseguiu vender metade da sua produção porque o ano foi de abundância e por consequência metade da sua produção ficou por vender como ainda ficou endividado perante a banca porque tinha pedido um “grande empréstimo para fazer a seara”.
Se os produtores alpiarcenses conseguissem unir-se e fazerem uma grande “plataforma de produtores de melão” talvez o “melão genuinamente alpiarcense” tivesse um enorme escoamento e pudesse ser vendido nas grandes superfícies.
Mas fazer esta plataforma ou uma associação é difícil para a mentalidades dos seareiros alpiarcenses que continuam a produzir em pequenas quantidades para ganharem alguns euros quando poderiam ganhar milhares de euros evitando assim os pequenos produtores tivessem que andar com o tractor/reboque às costas.
Ganhariam todos e as vendas estariam garantidas para toda a produção dos “seareiros alpiarcenses”.
Como tal situação não é possível, por enquanto, nem existe uma plataforma, os produtores alpiarcenses continuam todos a esgatanhar-se para conseguir vender a sua produção mesmo que muitas vezes tenham que passar por cima uns dos outros e sejam piores que os “pescadores” para além de acabar também com certos protestos que todos sabemos existir no “Parque do Carril”.
Deveriam fazer como no Oeste, onde já não se vêem os protestos de há uns anos. Daqueles em que os produtores de frutas, desesperados, deitavam à rua as maçãs e as peras que não conseguiam escoar, esmagados pelos aumentos das importações.
O que mudou?
«Em primeiro lugar, os produtores organizaram-se. Depois encontram parceiros e começaram a exportar.
Para o efeito criaram uma plataforma (TriPortugal) e assim unidos nas vendas e no apoio técnico conseguiram vender toda a produção.
Hoje a Inglaterra, Irlanda, Polónia, Brasil, França, Áustria, Alemanha e Canadá são alguns dos mercados para onde a TriPortugal exporta. Na Inglaterra, por exemplo, todas as cadeias de distribuição vendem, pera-rocha portuguesa, que está presente, também, nas refeições escolares.
Na Polónia, os produtores do Oeste podem agradecer ao grupo “Jerónimo Martins” (proprietário do Pingo Doce) o grande empurrão que deu, levando a fruta portuguesa para a sua cadeia de supermercados polaca, a Biedronka, onde a pera-rocha está a conquistar uma “grande adesão”.
O ano passado, quando do Festival do Melão” em entrevista a um semanário da região, Joana Serrano, presidente da Junta da Freguesia dizia que estavam a ser criados «contactos com alguns países europeus para que o melão genuinamente alpiarcense» começasse a ser exportado.
Tudo continua na mesma e os produtores de melão alpiarcense continuam a ter dificuldade em fazer escoar o melão que produzem como continuam a não ser capazes de fazer uma “plataforma” como também a não ter uma entidade institucional que os apoie.
Sendo assim, dificilmente um dia poderemos encontrar num qualquer pais europeu o “melão genuinamente alpiarcense”.
Valha-nos então o “Festival do Melão” que vai animando a malta e pouco mais.
Por: António Centeio



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